quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Eu tô aqui!



Odeio quando faz isso.

Some, sem nem deixar pistas de onde poderia estar.

Eu sinto tanto a sua falta.

Sinto falta de você perguntando como foi meu dia e senti muita falta disso hoje, já que meu dia foi uma merda.

Achei de verdade que você estaria lá pra deixar tudo melhor e eu dormir em paz mas você não estava e isso doeu como um ferrão.

Foi hoje que eu percebi o quão importante seus sorrisos são nos meus dias. Percebi o quanto os abraços quentinhos importam e que ter noticias suas, nem que sejam no fim da noite, deixam tudo melhor.

Me sinto ridícula escrevendo isso por que não passamos de meros estranhos que tentam se conhecer cada vez mais quatro dias por semana em um intervalo de cinco minutos.
Isso fica pior quando eu ensaio tudo que quero te falar mas por fim seus olhos não deixam, já que eles são a coisa que mais me prendem em você, convenhamos, você sempre soube disso.

Você sabe que eu me importo, que me importo muito, e isso parece não importar tanto pra você.

Cara, isso pode não dar em nada, eu sei.

Mas sei também que pode dar em tudo.

E se fosse pra arriscar em algo, eu arriscaria de corpo e alma nos seus olhos, nos seus abraços, nos seus beijos (que ainda não foram dados) e na sensação que você me causa.

Eu arriscaria em nós.

Levanta, pegue o carro, vem me buscar e vamos ver o pôr do sol.

Eu tô aqui!


Não espero pra sempre, mas consigo esperar tempo suficiente pra você vim me buscar.

domingo, 20 de março de 2016

E SE?


Era domingo, especificamente três da tarde e eu pensei em te ligar.
Não pra falar qualquer bobagem que eu tinha ouvido por ai, mas sim pra te convidar pra sair, ir em um lugar diferente onde pudéssemos rir das bobeiras que fazíamos e onde nos olhássemos olho no olho.

Bem foi quase isso que aconteceu.

Enquanto curtíamos uma música depressiva que a banda tocava no primeiro andar, você me contava das coisas que já passou e que eu jamais teria descoberto caso você não fosse meu amigo de longa data.

E que longa (isso é uma história pra um próximo texto).

Descobri que você já chorou dentro do seu quarto depois de ter voltado da aula, e percebi que seus medos são os mesmos que os meus.

Senti que a adrenalina que corre em suas veias saltantes que me fazem delirar, é a mesma que eu sempre quis sentir e nunca tive uma oportunidade.

(Até aquele dia em que subi na sua moto e por minutos que fossem, até você me deixar em casa, eu me senti completamente livre e feliz. Não totalmente segura, porque não sou fã numero um de motos, mas pude entender o significado de duas palavras que citaram certa vez na bíblia “livre arbítrio”.)

Me preocupei quando disse que não estava bem, e automaticamente me lembrei de minutos atrás quando você me disse que quase caiu com a moto e pediu pra eu não me preocupar e esquecer.

Sua moto. A bendita moto que você tanto ama. Eu não o julgo por gostar tanto de uma coisa tão perigosa, até te entendo, de verdade.

Na nossa conversa eu pude ver o seu lado da história e perceber que é isso que te faz feliz, nem que for só uma vez na semana ou um domingo tedioso.  Me dei conta de que você faz parte de uma coisa onde você realmente é aceito como você é, e que as pessoas que correm com você tem o mesmo objetivo, de se divertirem e nada mais.

Eu quis que as coisas tivessem sido diferente pra você, sabe.

Quis tanto que no momento em que me contou do seu pai, me deu vontade de voltar no tempo pra eu tentar concertar coisas que nunca tiveram nada a ver comigo, ou com você.

E então eu pensei: E se fugirmos? E se formos difíceis de encontrar? E se enlouquecêssemos? E se deixássemos tudo pra trás?

Não tínhamos nada a perder, sua família ficaria bem, preocupada mas bem. A minha enlouqueceria mas eu ligaria todos os dias, ou todas as horas se fosse preciso. Eu só queria sair dali, colocar uma mochila nas costas e sair sem rumo com você, colocando minhas mãos em suas costelas e sentindo o cheiro de liberdade misturado com aquele perfume amadeirado que você usa.

Seria realmente uma coisa que eu gostaria de fazer, e não com qualquer um.
Mas então você teve que ir embora. Eu reclamei claro, pedi não diversas vezes, mas aquela sua diferença começou atacar e uma simples bala doce não foi o suficiente para deixar sua tremedeira de lado.

Tive que sair da realidade alternativa que criei em minha mente, da matrix que existia ali, pra te dar um simples beijo na bochecha e te dizer tchau sorrindo, escondendo automaticamente tudo de ruim que tínhamos falado sobre nossas vidas.

Você acenou, eu acenei e respirei fundo, vendo você ir embora junto com tudo que eu tinha imaginado. 

Bom, quem sabe uma próxima.


sábado, 9 de maio de 2015

Problema.



Eu sabia que ia dar ruim, ruim não, ia dar merda mesmo, catástrofe total, terremoto, tsunami e erupção, mas mesmo assim eu insisti. 

Insisti porque desde o momento que eu coloquei o pé pra fora da sala em direção ao intervalo você sorriu pra mim tímido e logo em seguida desviou o olhar. Insisti porque aquela sua blusa do super homem combina com a minha de mulher maravilha. Insisti porque você quis saber das minhas fraquezas mesmo sem eu saber das suas. Insisti porque naquele momento você era você de um jeito que me fazia sentir eu mesma. 

É, eu te observava e ria de algumas coisas que ouvia você falar pra algum amigo. Percebia também as atitudes daquela sua amiga, que é apaixonada por você, mas até então eu não entendia um motivo sequer por ela não deixar de sorrir enquanto falava com você.

E então, a erupção vulcânica começou junto com a tsunami, tudo ao mesmo tempo. 

Você me procurou, fez meu coração acelerar e as borboletas no estômago darem oi. Me fez sorrir, me tirou do sério e me fez ver uma parte do mundo diferente. Me seguiu nas redes sociais, me chamou por mensagens e me mandou fotos. Apertou minha mão, me observou de longe e sentiu minha falta. Me chamou pra sair, odiou meu estilo de musica e me amou de óculos de grau. Me achou inteligente, gostou do meu jeito e ama cachorros. 

Você foi o problema, criou o problema e solucionou o problema. 

Mas sabe, eu até que gosto de problemas. 

Você é um problema que vale a pena, só não sabe disso ainda. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Uma sobrevivente.



Levantei da cama, coloquei aquele vestido de formatura todo florido em vermelho e amarelo, que há uns três anos estava guardado, um sapato de salto alto, o maior que tinha, escovei os cabelos e enrolei as pontas, passei o batom mais vermelho que existia na minha bolsa de maquiagem, peguei o carro, coloquei a musica que eu mais gostava no volume máximo e sai. 

Sai sem rumo, prometi a mim mesma que naquela noite eu faria tudo que mais tinha vontade e não pude fazer desde que te conheci, se eu quisesse gritar, gritaria, chorar também e dançar então nem se fale. Não é que você me impedia de tudo isso, você era bom mas não bom suficiente, eu sorria com você e gostava das nossas conversas, mas também não o suficiente, o fato é que você não me deixava "se permitir". 

Estacionei o carro em um lugar qualquer e entrei naquela balada, sim aquela mesma, a mais falada da cidade que eu nunca tinha ido por causa de você, por causa da gente. Gostei dos olhares que vinham em minha direção, e gostei mais ainda da sensação que a batida do momento causava em meu coração, e acredite ela causava mais que você. 

Eu dançava no ritmo e gargalhava de uns três ou quatro caras que tentavam me impressionar, e acredite eu estava sozinha mas nunca me senti mais acompanhada na vida, nem mesmo quando você me abraçava e fingia que éramos o mais perfeito casal. 

Peguei uma vodca e pisquei pro bar-men, aliás ele era gatinho e eu sempre fui de me derreter em olhos claros, voltei a dançar e nem me importei com meus pés que clamavam por descanso. Descanso? Já tive demais quando estava com você. 

Por um momento me senti na tomorrowland, sem brincadeira, eu me senti feliz, mas não por "acreditar" que estava foi por "sentir" que estava, fechei os olhos e respirei fundo, deixei todo aquele odor de pessoas desconhecidas entrar por minhas narinas e todo aquele barulho e gargalhada das mesmas entrarem por meus ouvidos. 

Isso não era sinal de uma recaída que tive de você, isso era um sinal de que toda a conspiração girava em torno da minha felicidade, a felicidade que durante meses eu procurei e fui incapaz de encontrar, e então a gente terminou, talvez não era pra ser, ou melhor, realmente não era pra ser, porque afinal me senti melhor em minutos do que em muitos meses que tivemos.

Também era uma desconhecida ali no meio de tudo aquilo, de toda aquela gente buscando ou encontrando a felicidade,  uma desconhecida sozinha, uma desconhecida sozinha e sobrevivente, mas mais que isso, uma desconhecida sozinha e sobrevivente que não precisa de você pra ser feliz. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Parque de diversões.


São exatamente onze horas e trinta e um minutos. No momento estou segurando meus olhos abertos, enquanto você está em um parque de diversões que não me parece tão divertido assim. Eu sei que você sente minha falta, não tanto quanto eu sinto a sua, mas você sente. 

Você provavelmente deve estar lembrando da vez em que estivemos juntos em um parque de diversões. Aliás foi a primeira vez e provavelmente a última. Enquanto eu tremia de medo na fila de uns dos brinquedos mais radicais daquela praça, você ria da minha cara de assustada e dizia que eu estava "em choque". 

E pra ser sincera eu realmente estava. Não só pelo brinquedo ou pela altura. Mas por você. Eu sentia que aquela noite marcaria de alguma forma, e foi ali, naquela fila que tudo começou. 

Você sabia, claro que sabia, que eu morria de medo de altura, mas que seria só você pedir que eu cederia e enfrentaria meus medos. E foi o que eu fiz. Eu fui, me sentei, segurei firme na barra de metal que prendia meu quadril e respirei fundo. 

Eu conseguia ouvir sua respiração ofegante atrás de mim, antes mesmo do brinquedo funcionar. E isso no fundo, me trazia um alívio. 

- Bota pra subir! - As pessoas gritavam. 

Enquanto eu só conseguia pensar: Já está na hora de descer.

E foi nessa hora, que meus pensamentos se misturaram com os sentimentos que tudo melhorou. 

Pude ouvir sua risada estridente, e seus gritos loucos vindo de trás de mim, e eu só consegui sorrir.

Por um momento, esqueci todo o medo, toda a altura, todo o pânico e foquei só na sua voz e no barulho mágico da sua risada. 

Você estava se divertindo, e não sabe o quanto eu me diverti também.