Levantei da cama, coloquei aquele vestido de formatura todo florido em vermelho e amarelo, que há uns três anos estava guardado, um sapato de salto alto, o maior que tinha, escovei os cabelos e enrolei as pontas, passei o batom mais vermelho que existia na minha bolsa de maquiagem, peguei o carro, coloquei a musica que eu mais gostava no volume máximo e sai.
Sai sem rumo, prometi a mim mesma que naquela noite eu faria tudo que mais tinha vontade e não pude fazer desde que te conheci, se eu quisesse gritar, gritaria, chorar também e dançar então nem se fale. Não é que você me impedia de tudo isso, você era bom mas não bom suficiente, eu sorria com você e gostava das nossas conversas, mas também não o suficiente, o fato é que você não me deixava "se permitir".
Estacionei o carro em um lugar qualquer e entrei naquela balada, sim aquela mesma, a mais falada da cidade que eu nunca tinha ido por causa de você, por causa da gente. Gostei dos olhares que vinham em minha direção, e gostei mais ainda da sensação que a batida do momento causava em meu coração, e acredite ela causava mais que você.
Eu dançava no ritmo e gargalhava de uns três ou quatro caras que tentavam me impressionar, e acredite eu estava sozinha mas nunca me senti mais acompanhada na vida, nem mesmo quando você me abraçava e fingia que éramos o mais perfeito casal.
Peguei uma vodca e pisquei pro bar-men, aliás ele era gatinho e eu sempre fui de me derreter em olhos claros, voltei a dançar e nem me importei com meus pés que clamavam por descanso. Descanso? Já tive demais quando estava com você.
Por um momento me senti na tomorrowland, sem brincadeira, eu me senti feliz, mas não por "acreditar" que estava foi por "sentir" que estava, fechei os olhos e respirei fundo, deixei todo aquele odor de pessoas desconhecidas entrar por minhas narinas e todo aquele barulho e gargalhada das mesmas entrarem por meus ouvidos.
Isso não era sinal de uma recaída que tive de você, isso era um sinal de que toda a conspiração girava em torno da minha felicidade, a felicidade que durante meses eu procurei e fui incapaz de encontrar, e então a gente terminou, talvez não era pra ser, ou melhor, realmente não era pra ser, porque afinal me senti melhor em minutos do que em muitos meses que tivemos.
Também era uma desconhecida ali no meio de tudo aquilo, de toda aquela gente buscando ou encontrando a felicidade, uma desconhecida sozinha, uma desconhecida sozinha e sobrevivente, mas mais que isso, uma desconhecida sozinha e sobrevivente que não precisa de você pra ser feliz.

MELHOR TEXTO DE TODOS!!!
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